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segunda-feira, junho 13, 2011

Pai, o que é um poeta?

Ontem fizemos um show bem bacana no Parque da Redenção em Porto Alegre, comemorando a Semana do Meio Ambiente. Ficamos felizes com o show. Assim que cheguei em casa  liguei a TV e fiquei assistindo a um programa que estava falando sobre a arte de escrever e sobre o ofício dos poetas. Para a minha surpresa, o meu filho de sete anos perguntou:
- Pai, o que é um poeta?
Fiquei pensando... Pois é, o que é um poeta? Não sei o que é um poeta! Talvez seja alguém com habilidades textuais? Somente isso não! O mundo está cheio de doutores citadores de outros doutores, que ganham títulos e mais títulos acadêmicos com as suas hiper habilidades consagradas em mega universidades aprovadas por leis importantíssimas.  Talvez um poeta seja um extraterrestre? Sim! Alguém que chegou em uma nave espacial e aterrizou nesta bola de futebol perdida no espaço? Um ser esquisito que passa a vida inteira achando graça nas coisas que todo mundo acha comum? Também já estou cansado desta explicação metafísica e desequilibrada sobre este tipo de arte. Fiquei pensando quieto e ele ali, firme, me olhando com aquelas duas enormes bolas azuis apontadas para dentro dos meus olhos. Seria mais fácil responder o que é um poema e falar simplesmente que o poeta é o sujeito que faz os poemas. Poderia sanar a sua dúvida, mas não iria despertar ainda mais a sua curiosidade. A minha intenção era que, depois desta pergunta, ele ficasse interessado, não só nos poemas, mas nos poetas. A solução que eu achei, foi a de pegar algumas pecinhas que estavam no chão em frente a lareira e começar a brincar com elas. Sabe aquele brinquedo que imita pontes, com telhadinhos vermelhos em forma de triangulo? Hoje em dia eles vem com o nome de " Jovem Construtor". Na minha época, vinham em caixinhas de papelão e eu conseguia montar cidades inteiras com aquelas madeirinhas pintadas. Inventei que este brinquedo de montar com seus pedacinhos seriam as letras e que, os poetas são grandes inventores de cidades repletas de palavras. Brinquei que o grande barato do poeta é formar versos que sejam interessantes de morar o pensamento. Seria como pintar uma casa. As cores precisam ficar em harmonia. Seria como colocar um tijolo encima do outro. Seria como colocar um telhado para não chover dentro. Ele sorriu! Suas covinhas no canto da boca, me convenceram que foi uma explanação interessada da minha parte. Agora, se funcionou ou não, só o tempo rei poderá dizer.
Tive sempre o receio de  ser confundido com um poeta, principalmente dentro de casa. Não tenho a sapiência nem o conhecimento básico para esta labuta. Ficar horas atrás da palavra certa para a frase, e depois de meses, descobrir que não era aquela e trabalhar mais semanas até achar a que realmente agrade, não é pra  mim.  Eu sou um cAntador das histórias que observo. Os poetas meu filho, são homens que levam a sério as construções que fazem!






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