Sempre achei o Natal uma festa das elites. Não venham me falar que o espirito natalino mora no coração das pessoas, do amor e da simbologia do nascimento de Cristo. Fico indignado nesta época do ano. Sinto uma dor gigante ao ver pessoas sem nada: família, amigos, parentes, vizinhos ou dinheiro. Gente dormindo nas ruas, crianças sem oportunidades e as mídias enlouquecidas pelo mega faturamento. O Natal é o momento que lembramos que esquecemos das pessoas. Não tenho saco para o mega amor dos Shoppings! Todos com suas sacolas cheias de lembranças vazias. Esta semana que passou fui até um centro de compras importante em Porto Alegre. Parecia um formigueiro quando se derrama água quente. Milhares de pessoas andando para cima e para baixo, lojas lotadas, estacionamentos engarrafados e por incrível que pareça, algumas pessoas estavam indignadas. Sim, brabas por terem tido a chance na vida de comprar um presente para os seus amados. Uma vez eu fui até uma comunidade de uma cidade vizinha a minha levar a minha lembrança de Natal. Fui apenas com o violão. Comecei a tocar na rua, andando sozinho, cantarolando o que me vinha na cabeça, sem repertório, apenas com a vontade de presentear algumas pessoas com as canções que invento. Até que deu certo. Algumas crianças foram chegando, os adultos meio que não entendiam muito bem, as avós batiam palmas em frente as casas e acabou todo mundo brincando de roda no meio da rua. Foi a maneira que encontrei de resgatar o afeto entre as famílias, mesmo que, só por alguns minutos. Evidente, que o sistema todo funciona para aqueles que tem grana. Não quero aqui, desmantelar em pleno Natal a falsa figura de um Papai Noel capitalista, com uma roupa de inverno e uma risada idiota. Nem vou comentar sobre os presentes que são distribuídos por uma figura masculina. E a Mamãe Noel o que fica fazendo na Noite de Natal? Comida para esperar o seu homem que chega cansado do trabalho? Se há uma pessoa que gosta menos do Natal que eu, deve ser Jesus Cristo. Putz! Deve ficar com vontade de acabar com o Mundo! Não precisamos do Natal para lembrar do outro. Ou precisamos? Somos seres mágicos, lúdicos, incríveis, temos o poder da fala, da comunicação, da escrita. Sonho com o dia em que seremos livres e poderemos sentir a vida de verdade. Bom, de qualquer maneira desejo a todos um Feliz Natal, cheio de pensamentos positivos e reflexões autônomas!
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