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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Zuando Som na Facos em Osório



 Ontem estive fazendo uma participação na aula da querida amiga e professora de Literatura Infanto Juvenil Naura. Adorei voltar à faculdade, agora como observador e sem nenhum trabalho atrasado para entregar. Andei pelos corredores ampliados, subi e desci escadas, senti novamente o cheiro de café do barzinho, e por incrível que pareça, não encontrei ninguém conhecido. Pois é, o mundo muda e a gente muda com o mundo. No encontro com os alunos, recém chegados ao terceiro semestre de Letras, tive a oportunidade de mostrar algumas canções, brincar de roda e conversar sobre a relevância da música no desenvolvimento da criança. A turma foi receptiva e carinhosa. Enquanto estudante, nunca fui um bom aluno! Era daqueles inquietos, questionadores, interessado em livros de poesia barroca nas aulas de Linguística. Adorava as aulas de Literatura Brasileira e detestava a exatidão do Latim. Depois de quase dez anos e dois filhos, me formei. Eu não fiz festa de formatura devido a falta dinheiro. Minha colação de grau se deu em uma sala. Famosa formatura de "gabinete". O engraçado disso tudo foi que, saí do tal gabinete feliz da vida e curioso para abrir o diploma. Atravessei a rua com passos largos, afinal tinha vencido uma longa, ao menos para mim, etapa da vida. Tal foi a minha surpresa, quando abri o papel em forma de canudo e percebi que estava em branco!  Lógico que meu diploma só viria de mãos dadas com o pagamento da dívida que eu ainda tinha na instituição. Estudar neste país ainda é difícil! Foram anos de muita labuta!
Na biblioteca, eu lia Ferreira Goulart, Monteiro Lobato, Manoel de Barros... As meninas que cuidavam dos livros já eram minhas amigas. Na Facos havia uma videoteca também. Foi nesta videoteca que loquei, ainda em VHS, o filme Muito Além do Cidadão Kane. Eu tentava conciliar o ZS com a faculdade e a professora Naura me dava as primeiras orientações. Lembro dela, com a paciência de sempre, fazendo questão de escutar as minhas angústias valorizando as minhas perguntas, e me fazendo pensar com sapiência e dedicação. O Maŕio Quintana tem uma frase que eu acho linda: " Amizade é um amor que nunca morre" Obrigado professora!



domingo, fevereiro 20, 2011

O Matheus da Feira do Livro de Atlântida Sul - Osório -

Matheus é um menino que eu não sei onde mora, não sei o seu sobrenome, não conheço os seus pais, mas falamos, durante cinco minutos,  sobre um assunto muito sério. Assim que terminei de tocar, fiz o show apenas com a voz e o violão, fui até o carro deixar o instrumento para parabenizar os organizadores pela iniciativa da Feira e tal. Quando retornei, fui abordado por um menino de óculos preto, cabelos curtos e uma dificuldade para falar, que lhe deixava ainda mais simpático. Aproximou-se de mim e fez um comentário que me deixou desconcertado:

- Sabia que o meu nome é Matheus?  Eu também não tenho avô!É chato né?

Ele estava se referindo a canção Vovó e Vovô, que eu havia tocado minutos atrás.  A minha reação foi de perplexidade! Ele estava contando pra mim que estava triste e que no seu mundo existia uma perda, uma dor! Por alguns minutos ficamos em silêncio. Um olhando para o outro. Dois desconhecidos unidos pela letra de uma canção.  O que eu poderia fazer? Nunca passou pela minha cabeça uma cena tão querida. Naquele momento, já desconcertado, dei-lhe um abraço apertado e um beijo na sua gorda bochecha tentando me consolar.    

Segue a letra:



Vovó e Vovô


Meu vovô
Sabe muita coisa que eu não sei
Ele tá ligado
Em quase tudo que eu faço

E a vovó
Me conta mil histórias é um barato
Canta tantas canções
Talvez mais de cem

Mas o João não tem vovô
E o Pedro nem conheceu sua vovó
Matheus também nasceu sem
E o Guilherme chama de papai o avô

Perto da minha casa
Mora uma vovó
Que virou a vovó
De todo mundo

Ela é negra branca
Amarela e vermelha
Ela é linda de tanta cor que tem

Ela dança
Ela brinca comigo
Tem comida diferente que faz bem
O coração dela é gigante
E a brincadeira mais gostosa
É a do Trem.
Papai, mamãe
Vovó, vovô
( Rodrigo Prates)

A convivência com os Mestres Griôs fez com que a relação entre netos e avôs me comovesse muito. A avó contadora de história, a negra orgulhosa da sua comida que transcende os séculos, as brincadeiras... O amor doado pelos avôs, aqui lembrado pela afetividade mútua, faz o adulto que narra a história, lembrar da infância e lamentar a falta que hoje faz os avós.
Nos dias atuais, os vovôs e as vovós estão como se diz, voando as tranças por aí. São internautas, dançarinos, sambistas, pintores e estão muito espertos e atualizados. Esta canção é uma homenagem a todos e todas que não tem ou nunca tiveram os avós por perto.


                Mestre Griô Dona Sirley e o produtor e músico do ZS Rodrigo Sadol

                                                                Fé e Pé!