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domingo, maio 22, 2011

Sobre a felicidade e as brincadeiras

Nesta semana que passou comprei um campo de botão. Lá em Alegrete, eu tinha um debaixo da minha cama. Na época, não sei se ainda é assim, existiam botões de acrílico e galalite. Os meus amigos tinham times inteiros feitos por um sujeito muito habilidoso que morava perto da "Praça Nova": o "Feijão"!   Sempre que nos reuníamos para jogar havia a lenda dos botões fabricados pelo  famoso Feijão. Era uma festa quando alguém chegava com um botão novinho.Todos curiosos para ver como a pequena peça artesanal iria se comportar no jogo. Claro, esqueci de explicar, o Feijão era como uma fábrica de construir craques, fazia zagueiros maravilhosos, atacantes que chutavam com os dois pés... Além disso, o cliente poderia ainda, se dar ao luxo de escolher  a cor. Um vizinho tinha um time do Grêmio inesquecível, todo azul, preto e branco. Espetacular! Eu tinha lá, minha meia dúzia de bons jogadores, quer dizer, botões e outros não tão bons chamados carinhosamente de 'Panelinhas". Fazíamos campeonatos demoradíssimos que duravam a tarde toda.  Depois de lembrar disso tudo, achei que era chegada a hora dos meus filhos ganharem um jogo de botão, mesmo que fosse  dos "panelinhas". Eles adoraram! Passamos algum tempo brincando com a nova descoberta. Mais tarde, pensei que poderia escrever uma canção contando as alegrias que rondam o universo lúdico de uma criança, ao se deparar a primeira vez com a imitação quase perfeita, sem cair em clichês, de uma paixão nacional. Claro, que aquele campo de botão não é de verdade, mas é como se fosse. Também é óbvio que os jogadores não são reais, mas é como se fossem. Lógico que a bolinha não rola, mas é como se rolasse. Sentindo a infância dos filhos e lembrando da minha, escrevi para o pessoal aqui de casa  "Jogo de Botão." Não consegui gravar a música ainda, estou sem as ferramentas. Assim que gravar  posto com música junto. Espero que gostem!  


Jogo de Botão

Jogo de botão
Como é bom jogar
Pegar a palheta na mão
Ver o botão deslizar

Jogo de botão
Você também pode brincar
Com seu vizinho ou irmão
Com a Ana ou o João
Vocês vão gostar!

Jogo de botão
Como é bom sonhar
Em ser um jogador
Fazer milhares de gols
E sair pra sambar

Arruma então o teu goleiro
Que eu to pronto pra chutar no gol
Hoje eu escalei o meu melhor botão
Ele é da minha seleção
E sabe marcar o gol

Marcar o gol!
Marcar o gol!

Jogo de botão...

Rodrigo Prates


Fé e Pé!

sábado, março 26, 2011

Zuando Som no A B Z do Ziraldo

Recebemos esta semana a feliz notícia que vamos participar do A B Z do Ziraldo no RJ. Este programa vai ao ar nos domingos ao meio dia na TV Brasil.   Admiramos o Ziraldo e aprendemos muito com a sua maneira de pensar  a criança deste  nosso querido país. Iremos  gravar dia 16 de abril.  Ficamos  radiantes com a possibilidade de mostrar as nossas canções para um público mais amplo. Escolhemos tocar a Batata Muito Doida por ser a mais pedida nos shows. Estamos curiosos para ver a reação das crianças de outro estado frente a história da batata que foge da geladeira. Dizem que o RS é o estado mais exigente  e crítico do Brasil. Sempre tivemos as sorte de os nossos conterrâneos não só gostarem do que fazemos, como torcerem por nós. Esperamos que as crianças da cidade maravilhosa nos acolham com o mesmo carinho daqui.
Hoje ensaiamos para os shows que iremos realizar dias 31/03 e  1°/04 em Porto Alegre e Taquara. Estes shows são para o Projeto Histórias Cantadas da Infância dos Mestres Griôs.   

                                 FéePé!














sábado, fevereiro 26, 2011

A Oficina Lúdica ZS para os Educadores

Para entender o professor precisei me tornar um. Quando estava perto de me graduar em Letras, percebi a necessidade de ir  ao encontro dos alunos. Passei algum tempo trabalhando como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Minha relação com os adolescentes sempre foi direta. Na época, eu tinha vinte e três anos e entendia a responsabilidade de mostrar estes conteúdos com competência. Acho que consegui! De qualquer maneira, prefiro as crianças. Não que eu não tenha paciência, mas tenho consciência dos hormônios!
Com o passar dos anos, a vida foi me mostrando outros caminhos e como "o tempo é senhor das horas", aceitei imediatamente.  
Contar aos educadores as minhas experiências dentro e fora das escolas infantis, exigia e exige de mim, um olhar mais amplo das situações cotidianas da criança. Fico feliz quando encontro pessoas  dispostas a escutar. O adulto pensa que sabe tudo e que brincar é coisa de criança! Sempre que falo em adultos, lembro da ingenuidade poética do "Pequeno Príncipe" 
Não me recordo da primeira vez que fiz esta Oficina Lúdica ZS . Tudo aconteceu a seu tempo e lógico, eu não poderia guardar as situações maravilhosas que encontrava na prática numa caixa bem perfumada dentro de mim. Era necessário compartilhar com as pessoas.
Atualmente, utilizo estas oficinas para provocar questionamentos sobre a infância, e principalmente sobre o consumo desenfreado e suas implicações na cultura infantil.  Para isso, faço uso de livros, clipes, pequenos documentários, canções autorais e muitas brincadeiras usando o corpo e o canto. Uma festa para celebrar a vida!
Abaixo a descrição da Oficina Lúdica ZS para educadores

  

 
Oficina Lúdica Zuando Som
para educadores

Durante a Oficina Lúdica Zuando Som, Rodrigo Prates acompanhado do violão, toca canções autorais, mostra vídeos, brinca de roda e de trem, lê trechos de livros, emociona através das experiências vividas com os Mestres Griôs e comenta sobre o seu processo de composição. Esta Oficina Lúdica ZS tenta sensibilizar os profissionais da educação sobre a importância da musicalização e do entretenimento, aproximando crianças e educadores para que compartilhem experiências do cotidiano infantil de forma lúdica. No decorrer do encontro, surgem provocações sobre as canções infantis veiculadas na grande mídia e suas implicações no cotidiano escolar. Divertir e sensibilizar através das canções infantis , é a proposta da Oficina Lúdica Zuando Som.

Este encontro sugere um Diálogo com a musicalidade do ser humano e suas transformações. A linguagem musical acompanha a humanidade desde o início da civilização. A escrita foi criada posteriormente, para registrá-la e mantê-la viva de forma codificada. A música atua no corpo e desperta emoções revelando o pensamento de uma época e tendências de comportamento. Tornando-se um poderoso recurso educativo a ser utilizado no Ensino Fundamental e Educação Infantil, pois é preciso que a criança e os responsáveis sejam habituados a expressarem-se musicalmente, para que a música venha se constituir em algo permanente de seu ser representando uma inesgotável fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade para ambos.
“A música contribui para um desenvolvimento pleno e harmônico, já que incide diretamente na sensibilidade na expressão e na reflexão.”(Teca Alencar de Brito, co-autora do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil)

São objetivos do encontro:

Sensibilizar os profissionais das Escolas em relação a importância da musicalização e do entretenimento, aproximando educadores, música e crianças fazendo com que compartilhem experiências e informações relacionadas ao cotidiano infantil de forma lúdica;
Apresentar fundamentos, conceitos e procedimentos adequados ao trabalho humanizado na Educação Infantil vislumbrando novos olhares sobre o fazer musical;
Provocar questionamentos sobre canções veiculadas na mídia e suas implicações no cotidiano escolar;
Divertir e educar através de situações encontradas nas canções do Zuando Som e de outros grupos ou compositores, fazendo com que a música passe a ser um meio de socialização, comunicação e aprendizagem.


Metodologia:

-Audição e reflexão de canções infantis dos anos 70, 80, 90 e 2000;
-Exibição do documentário: Criança a Alma do Negócio. Direção: Estela Renner -Debate sobre a importância da música na escola e suas possibilidades;
-Interação com os Professores através de brincadeira cantadas.


Referencias bibliográficas:

BEYER,Esther Sulzbacher Wondracek. O som e a criatividade: dimensões
da experiências musicais. Editora Santa Maria, 2005.
ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Globo, 2003.
BRITO, Teca Alencar de. Música na Educação Infantil. São Paulo: Petrópolis, 2003.
QUINTANA, Mário. Rua dos Cataventos & Outros Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2009
DUSSEL, Inés. A Invenção da Sala de Aula. São Paulo:Moderna, 2003.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir,1996
MIDANI, André. Música, Ídolos e Poder: Do Vinil ao Download. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
GARCIA, Leite Regina(Org.) Revisitando a Pré Escola. São Paulo: Cortez, 1993.
KINCHELOE, Joe L. (Org.) Cultura Infantil: A Construção Corporativa da Infância: Civilização Brasileira, 2001














"O saber entra pelos sentidos e não somente pelo intelecto"
                                                                                 Frei Betto
                                               

                                                  Referências Bibliográficas:

BEYER,Esther Sulzbacher Wondracek. O som e a criatividade: dimensões
da experiências musicais. Editora Santa Maria, 2005.
ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Globo, 2003.
BRITO, Teca Alencar de. Música na Educação Infantil. São Paulo: Petrópolis, 2003.
QUINTANA, Mário. Rua dos Cataventos & Outros Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2009
DUSSEL, Inés. A Invenção da Sala de Aula. São Paulo:Moderna, 2003.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir,1996
MIDANI, André. Música, Ídolos e Poder: Do Vinil ao Download. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
GARCIA, Leite Regina(Org.) Revisitando a Pré Escola. São Paulo: Cortez, 1993.
KINCHELOE, Joe L. (Org.) Cultura Infantil: A Construção Corporativa da Infância: Civilização Brasileira, 2001


                                                Fé e Pé!   

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A Oficina Lúdica ZS para toda família

Assim que o ZS se tornou algo relevante para as crianças dentro das escolas, percebi a responsabilidade de mostrar aos pais como era o meu trabalho com seus filhos. Neste tempo todo de projeto, sempre toquei as canções que eu fiz. Nunca me preocupei em tocar  canções que não fossem minhas. Foi então que, tive a idéia de montar um Oficina Lúdica para os pais brincarem junto com os filhos. Como que os responsáveis pela criança poderiam cantar a "Batata Muito Doida" se nunca escutaram a canção? Demorei algum tempo amadurecendo e pensando uma maneira de colocar em prática esta iniciativa. Li vários livros sobre jogos cooperativos, visitei a brinquedoteca da UFRGS , descobri  a Tânia Fortuna, conversei com brinquedistas , e na Escola Sementinha em Osório RS, tive a possibilidade de  tornar concreto o que eu pensava. Os encontros aconteciam às 17:30. Assim que os pais chegavam para buscar os filhos, ficavam mais uma hora aproximadamente brincando. Foi uma curtição! Abaixo, a descrição da Oficina:

O Lúdico como meio para a sensibilização musical e humanização da relação entre pais e filhos. 

Devido a falta de tempo, muitas crianças passam o dia em escolas infantis ou com profissionais que cuidam delas em suas casas. Resta aos pais e responsáveis um pequeno tempo que fica dividido em alguns casos, entre outros afazeres pessoais . A culpa por este “atarefamento” tamanho, faz com que famílias inteiras cedam aos apelos da grande mídia e felicidades instantâneas ocupem espaços relevantes dentro dos lares . A infância está em crise, os valores estão sendo subvertidos, o que era novo hoje pela manhã, no outro dia a tarde vai ser démodé. A tradição oral, as histórias contadas ao pé da cama e as brincadeiras estão sendo substituídas pelas máquinas. O corporativismo aplicado a infância de maneira exaustiva está fazendo com que a criança cresça e se desenvolva precocemente “ As transformações econômicas ,sociais e culturais da segunda metade do século XX não tiveram impacto somente na vida da população adulta. A construção social da infância também mudou de maneira drástica. Alguns estudiosos apontam para uma crise da infância, baseando seus argumentos em questões como a desfragmentação da família moderna ou o acesso ilimitado de informações sobre o mundo adulto. Um outro fator, é a produção corporativa da cultura infantil e seu impacto na criança” ( STEINBERG,2001)
A criança aprende através da observação do adulto. Pais que gostam de leitura e habitualmente estão lendo para e na frente dos filhos, provavelmente terão filhos interessados em livros. A proposta da Oficina Lúdica Zuando Som, é fazer com que através de encontros semanais de sessenta minutos num ambiente alternativo e com a ajuda de um mediador, os pais ou responsáveis mostrem atenção pelas brincadeiras dos filhos da maneira mais interativa possível. “Observações realizadas através dos jogos das crianças de três a cinco anos, apontam que, majoritariamente na atividade lúdica a criança joga mais que exercita e, quando joga, predomina a imaginação em ação” (Negrine, 1995) Logo, as crianças ao perceberem a alegria dos pais ou responsáveis brincando mostrarão interesse em brincar. Neste sentido,Vigotsky afirma: “Tudo aquilo que a criança pode fazer hoje com a ajuda dos demais, fará amanhã por si mesma. Cabe ainda salientar que jogando a criança aprende, internaliza novos comportamentos, verbaliza, entra em comunicação com os demais e, conseqüentemente se desenvolve.
Deste modo, o lúdico poderá fazer o resgate e a humanização das famílias através das brincadeiras de roda, dos brinquedos reciclados, das canções populares, ou ainda, das histórias que eram contadas pelos nossos avôs, fortalecendo assim, o vínculo familiar. Há muita diversidade e beleza no universo infantil, basta estar disposto a procurar o mágico e o inusitado para encontrar sem demora, aquele sentimento que mesmo sendo bem velhinho, ainda é novo e encanta, humaniza e emociona.


                                             Conhecendo um pouco mais...

1 - Audição de canções infantis inéditas compostas por Rodrigo Prates
2- Elaboração de brinquedos e instrumentos musicais com sucatas
3 - Brincadeiras e rodas cantadas
4 - Resgate de canções, brincadeiras e jogos
5 - Elaboração de desenhos e pinturas
6 - Manuseio de argila e tintas
7 - Cantação de histórias

Brincamos desta maneira durante um bom tempo no ano de 2010. Provavelmente, se os pais mantiverem o interesse, 2011 será mais um ano repleto de brincadeiras. Amanhã vou falar um pouquinho da Oficina Lúdica ZS para os educadores.





                                                 Referências Bibliográficas:

BEYER,Esther Sulzbacher Wondracek. O som e a criatividade: dimensões
da experiências musicais. Editora Santa Maria, 2005.
ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Globo, 2003.
BRITO, Teca Alencar de. Música na Educação Infantil. São Paulo: Petrópolis, 2003.
QUINTANA, Mário. Rua dos Cataventos & Outros Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2009
DUSSEL, Inés. A Invenção da Sala de Aula. São Paulo:Moderna, 2003.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir,1996
MIDANI, André. Música, Ídolos e Poder: Do Vinil ao Download. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
GARCIA, Leite Regina(Org.) Revisitando a Pré Escola. São Paulo: Cortez, 1993.
KINCHELOE, Joe L. (Org.) Cultura Infantil: A Construção Corporativa da Infância: Civilização Brasileira, 2001





                                                    Fé e Pé!





terça-feira, fevereiro 22, 2011

Zuando Som na Facos em Osório



 Ontem estive fazendo uma participação na aula da querida amiga e professora de Literatura Infanto Juvenil Naura. Adorei voltar à faculdade, agora como observador e sem nenhum trabalho atrasado para entregar. Andei pelos corredores ampliados, subi e desci escadas, senti novamente o cheiro de café do barzinho, e por incrível que pareça, não encontrei ninguém conhecido. Pois é, o mundo muda e a gente muda com o mundo. No encontro com os alunos, recém chegados ao terceiro semestre de Letras, tive a oportunidade de mostrar algumas canções, brincar de roda e conversar sobre a relevância da música no desenvolvimento da criança. A turma foi receptiva e carinhosa. Enquanto estudante, nunca fui um bom aluno! Era daqueles inquietos, questionadores, interessado em livros de poesia barroca nas aulas de Linguística. Adorava as aulas de Literatura Brasileira e detestava a exatidão do Latim. Depois de quase dez anos e dois filhos, me formei. Eu não fiz festa de formatura devido a falta dinheiro. Minha colação de grau se deu em uma sala. Famosa formatura de "gabinete". O engraçado disso tudo foi que, saí do tal gabinete feliz da vida e curioso para abrir o diploma. Atravessei a rua com passos largos, afinal tinha vencido uma longa, ao menos para mim, etapa da vida. Tal foi a minha surpresa, quando abri o papel em forma de canudo e percebi que estava em branco!  Lógico que meu diploma só viria de mãos dadas com o pagamento da dívida que eu ainda tinha na instituição. Estudar neste país ainda é difícil! Foram anos de muita labuta!
Na biblioteca, eu lia Ferreira Goulart, Monteiro Lobato, Manoel de Barros... As meninas que cuidavam dos livros já eram minhas amigas. Na Facos havia uma videoteca também. Foi nesta videoteca que loquei, ainda em VHS, o filme Muito Além do Cidadão Kane. Eu tentava conciliar o ZS com a faculdade e a professora Naura me dava as primeiras orientações. Lembro dela, com a paciência de sempre, fazendo questão de escutar as minhas angústias valorizando as minhas perguntas, e me fazendo pensar com sapiência e dedicação. O Maŕio Quintana tem uma frase que eu acho linda: " Amizade é um amor que nunca morre" Obrigado professora!



domingo, fevereiro 20, 2011

O Matheus da Feira do Livro de Atlântida Sul - Osório -

Matheus é um menino que eu não sei onde mora, não sei o seu sobrenome, não conheço os seus pais, mas falamos, durante cinco minutos,  sobre um assunto muito sério. Assim que terminei de tocar, fiz o show apenas com a voz e o violão, fui até o carro deixar o instrumento para parabenizar os organizadores pela iniciativa da Feira e tal. Quando retornei, fui abordado por um menino de óculos preto, cabelos curtos e uma dificuldade para falar, que lhe deixava ainda mais simpático. Aproximou-se de mim e fez um comentário que me deixou desconcertado:

- Sabia que o meu nome é Matheus?  Eu também não tenho avô!É chato né?

Ele estava se referindo a canção Vovó e Vovô, que eu havia tocado minutos atrás.  A minha reação foi de perplexidade! Ele estava contando pra mim que estava triste e que no seu mundo existia uma perda, uma dor! Por alguns minutos ficamos em silêncio. Um olhando para o outro. Dois desconhecidos unidos pela letra de uma canção.  O que eu poderia fazer? Nunca passou pela minha cabeça uma cena tão querida. Naquele momento, já desconcertado, dei-lhe um abraço apertado e um beijo na sua gorda bochecha tentando me consolar.    

Segue a letra:



Vovó e Vovô


Meu vovô
Sabe muita coisa que eu não sei
Ele tá ligado
Em quase tudo que eu faço

E a vovó
Me conta mil histórias é um barato
Canta tantas canções
Talvez mais de cem

Mas o João não tem vovô
E o Pedro nem conheceu sua vovó
Matheus também nasceu sem
E o Guilherme chama de papai o avô

Perto da minha casa
Mora uma vovó
Que virou a vovó
De todo mundo

Ela é negra branca
Amarela e vermelha
Ela é linda de tanta cor que tem

Ela dança
Ela brinca comigo
Tem comida diferente que faz bem
O coração dela é gigante
E a brincadeira mais gostosa
É a do Trem.
Papai, mamãe
Vovó, vovô
( Rodrigo Prates)

A convivência com os Mestres Griôs fez com que a relação entre netos e avôs me comovesse muito. A avó contadora de história, a negra orgulhosa da sua comida que transcende os séculos, as brincadeiras... O amor doado pelos avôs, aqui lembrado pela afetividade mútua, faz o adulto que narra a história, lembrar da infância e lamentar a falta que hoje faz os avós.
Nos dias atuais, os vovôs e as vovós estão como se diz, voando as tranças por aí. São internautas, dançarinos, sambistas, pintores e estão muito espertos e atualizados. Esta canção é uma homenagem a todos e todas que não tem ou nunca tiveram os avós por perto.


                Mestre Griô Dona Sirley e o produtor e músico do ZS Rodrigo Sadol

                                                                Fé e Pé!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

A estreita relação do Zuando Som com as Feiras de Livro

Olá!

Sempre gostei de ler. Acredito  no poder da educação! Minha história com as Feiras aconteceu de maneira natural. Eu passava horas nas Escolas Infantis tocando e fazendo laboratórios com as canções que eu criava. Meu melhor momento para compor é depois de ler. Muitas vezes eu compunha uma canção de manhã, depois de uma leitura, e a tarde eu tocava para as crianças. Tenho um livro da UFRGS  "Educação Infantil Pra Que Te Quero?" organizado pelas brilhantes educadoras Carmem Maria Craidy e Gladis Elise Pereira da Silva Kaercher, que é relevante para as pessoas que escolhem trabalhar com  crianças. Assim que comecei a escrever, apenas relatava o cotidiano infantil. Com este livro, descobri que teria de ser mais lúdico, e que, obrigatoriamente, minhas canções necessitariam de movimentos. Em um artigo deste livro, a querida e também educadora, Leda Maffioletti, relata experiências, enfatiza os cuidados que devemos ter para não cairmos na mesmice de apenas cantar "musiquinhas". Um livro esclarecedor e importantíssimo para aprendermos a brincar com a música e tornarmos isso uma experiência inesquecível para as crianças. Pois bem, comecei a pensar que poderia tocar sozinho enquanto a banda  não se formava. Aliás, só conseguimos formar a banda com baixo e bateria em 2010. Não foi fácil! Acho que a primeira vez que apresentei as canções para um público relativamente grande, foi na Feira do Livro de Tramandaí. Foram momentos de dúvidas. Ao mesmo tempo que era excitante cantar para um público atento ao que estava sendo dito, era intimidador contar as peripécias dos meus filhos para pessoas que nunca tinha visto na vida! Depois veio a Feira do Livro de Osório, que particularmente acho espetacular, Imbé e finalmente a tão aguardada Feira do Livro de Porto Alegre  Para apresentar as canções do ZS nesta enorme Feira, montamos um espetáculo com o Sadol tocando escaleta, o Alemão violão de 12 cordas e vocais e eu violão de seis cordas e voz. Graças a São Jorge e todos o santos na volta, o show funcionou! E funcionou mesmo! Fomos parar na capa do site. A crítica local gostou e as pessoas também. Era o que eu precisava para continuar contaminando as pessoas positivamente com o que eu inventei. Quando penso na importância das Escolas Infantis para o desenvolvimento do Zuando Som (ZS) fico impressionado. O contato diário com tantas Escolas me fez crescer como músico, compositor e me ajudou a entender a profundidade da Educação Infantil. 
  
Vale a pena dar uma olhada neste trabalho excelente de inclusão:

Grupo Gingas  

Até amanhã,

Fé e Pé!