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domingo, dezembro 08, 2013

Avante!

Sempre fui cético em relação aos meus sentimentos relacionados ao projeto que idealizei em 2004 e que chamo carinhosamente de Zuando Som. É especial poder contar com os músicos e com o carinho do público. Antes do show, na Feira do Livro de Osório, comentava com o Cristian Sperandir, sobre a dificuldade de conseguirmos atrair mais pessoas. Entendo perfeitamente que o processo é aquele conhecido popularmente como "formiguinha". Desta forma, venho percebendo que a cada apresentação, estamos levando mais pessoas para nos assistir. Ainda são poucos, mas fiéis. Tocar na região em que moramos, nos enche de alegria. O litoral gaúcho é de uma carência absurda de eventos, por isso, quando acontece alguma movimentação relacionada a Cultura, acho importante o Zuando Som levar a proposta da canção infantil autoral. Emocionante ver as famílias brincando com as crianças, os adultos cantando e todo mundo rindo na roda ou no trem que propomos sempre ao final de cada espetáculo. Uma pena que este olhar parta, na maioria das vezes, de nós ou do público. Ainda tenho a esperança, talvez por ser um romântico assumido, que a região em que moro tenha "olhos de ver" como diz o Ruben Alves. Estamos fazendo felizes a nossa parte. Não ficamos sentados reclamando da vida. Estamos na rua com o que acreditamos contribuir para mudar o mundo de cada um e o nosso. Obrigado de verdade pelo carinho! Um salve ao querido público e a "Superbanda" que também são uns "Superqueridos" Cristian Sperandir, Cri Ramos, Sandro Bonato, Tobias Falcão e Adriano Sperandir. Fé e Pé pra todos nós!

domingo, outubro 06, 2013

"Fé e Pé"


Zuando Som - Medo de Princesa - Videoclipe oficial from Zuando Som on Vimeo.
Fazer um disco novo exige uma dedicação que é difícil de explicar, mas quem está envolvido sente vontade de se fazer entender. Acho a maior graça de mim mesmo, quando ligo para alguns amigos intimando para virem até a minha casa escutar o que gravei recentemente. Agora até ando melhor, mas há algum tempo, assim que compunha ou gravava algo novo sentia a necessidade patética de mostrar à alguém. O pior é que algumas pessoas, por serem bem próximas e gostarem de mim, deixavam de fazer o que tinham programado para compartilharem comigo as divagações que faço sobre o que está sendo ouvido. Sou um chato! Mas gosto de quando as pessoas são chatas assim comigo. O processo de gravação do CD "Fé e Pé" foi um trabalho que começou sem grandes pretensões e acabei saindo do estúdio com uma banda para executar as canções ao vivo. Muito legal poder contar com os músicos que apelidei carinhosamente de "Superbanda": Tobias Falcão, Cristian Sperandir, Cri Ramos e Sandro Bontato, são os novos parceiros e amigos que estão apresentando o show deste CD - "Fé e Pé". "Superbanda", devido ao virtuosismo deles com os instrumentos, mas também para fazer uma brincadeira com os super heróis, Super Amigos, Liga da Justiça e todas essas coisas que rodeiam os Gibis e desenhos animados. Dei este nome,"Fé e Pé" pois creio que a fé, religiosa ou não, faça a gente seguir adiante em nossos anseios. Pé foi um simbolismo para mostrar a importância da caminhada. Como diria o gigante Chico Science: "um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar"  Fazer canção infantil e executar o que foi gravado exige certo cuidado para o som chegar verdadeiro às crianças. Belos trabalhos foram feitos pelo Marcos Valle, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Raul Seixas, recentemente a Adriana Calcanhoto (Partimpim) Palavra Cantada, Hélio Ziskind entre outros, fizeram e fazem canções incríveis. Este novo trabalho do Zuando Som,  foi construído com bastante zelo e com referência de todos eles. Tobias Falcão, produtor do disco e guitarrista da "Superbanda", fez a produção bastante aberta, escutando e ampliando não só as minhas opiniões, mas as de todos os envolvidos. O resultado foi um disco criativo e ousado ilustrado pelo Gabriel Demarchi e com capa e conteúdo no formato redondo. Dia 13 de outubro na Casa de Cultura Mário Quintana, no auditório Luís Cosme às 15:00 será o lançamento do CD.  Assinantes ZH tem desconto de 50%. Fé e Pé para todos vocês!

Rodrigo Prates.

sexta-feira, julho 26, 2013

Em construção

O tempo leva tudo: Os sonhos, os planos, a vida...pra frente? Fiquei impressionado com uma foto que a Nasa publicou da Terra e da Lua. Ambas muito pequenas vistas a uma distância incrível. Tudo que a gente ama, odeia, faz ou nem tenta fazer, está ali naquele pequeno pedaço azul. Falando assim, parece óbvio, mas não é! 
Tenho me deparado com pessoas estranhas. Observo no cotidiano criaturas mergulhadas em um vazio de bobagens. A busca infinita pelo dinheiro, pela fama, por compartilhar até a cor do pipi, não é comigo. Olho a Terra no espaço e penso que estamos todos distantes e ausentes de todo o resto. Somos seres viajantes. Não precisamos levar tudo tão a sério. Ou precisamos? Qual o motivo para tanta cara feia? Percebo em algumas pessoas um ar de superioridade, como se soubessem mais do que eu, o que vai acontecer no minuto seguinte até com a minha própria vida. Deus deve ficar de saco cheio! Tudo muito pequeno para pessoas com vaidades gigantes. Somos ínfimos, mas estamos no comando do Planeta. Ou não? Somos seres mágicos? Olhando de longe como a tal fotografia nos mostra, somos um milagre. Nossas alegrias, tristezas e tudo mais, não passam de sentimentos que importam somente para nós e mais meia dúzia de amigos. Estamos sós, mas quem não está? Nascemos e morremos sozinhos, mas não estou falando de solidão. Estou pensando a vida. Tudo está infinitamente em construção. Ainda bem!

quarta-feira, abril 24, 2013

Pintando nuvens


Não acredito na colheita do bom semeador.  Aquela história que aqui se faz e aqui se paga é puro engodo. Nascemos e nos desenvolvemos com o medo nos dando limitações. Somos seres que não nascemos ruins, mas não nascemos com o coração puro. Simplesmente nascemos.  A arte talvez seja a maior prova de que somos seres incompletos. Não fazemos arte devido a sua beleza, mas pela necessidade. Escutei de alguém  que o Facebook está cheio de artistas. E isso me foi dito num  tom pejorativo. Óbvio que o Facebook está cheio de artistas! Não só o Facebook, como todos os meios de comunicação gratuitos da Web, estão repletos de artistas emergentes ou não.  O nosso papel nestas mídias, além de divulgar o trabalho que nos esforçamos para fazer, é o de levar a dúvida onde há certezas. Cutucar o indivíduo acomodado e fazê-lo melhor. Somos transformadores e não tomadas! Geramos energia! Não tememos o destino! Essa ladainha de deixa a vida me levar... pra nós não rola amigo. Não somos revoltados, como dizem por aí, somos críticos. Alguns chegam a julgar o trabalho do artista de maneira equivocada.  A sombra de suas lindas e bem sucedidas profissões, são capazes de jurar que passamos muito trabalho. Levamos a fama de vagabundos quando trabalhamos pouco e de coitados quando trabalhamos além da conta.  É comum escutar que o nosso esforço não vai dar em nada. Ou ainda, que tem muita gente fazendo e falta mercado para tamanha população de artistas. Pior é ouvir que todo mundo quer ser artista, pois é uma vida sem horários. Creio na diferença e respeito todas as opiniões, mas isso não quer dizer a ausência de resposta por nossa parte. Tenho certeza que a nossa semente é de outro planeta.  Que o nosso solo não é comum.  Não plantamos nosso trabalho na terra, pintamos nuvens.  Tanta  maldade por aí e ficamos distraídos produzindo nossos quadros, esculpindo madeiras, arrumando violões, compondo, desenhando... somos seres estranhos mesmo.  Não nos encaixamos no tempo que a sociedade apontou como único. Nosso tempo é outro. Temos sensibilidade e fazemos força para sensibilizar o outro. Somos um bando de "bocô", como diria o poeta  Manoel de Barros. Não creio na bondade ou maldade divina. Tenho fé e tenho pé para correr atrás das estrelas que nunca alcancei. O resto é nada.

quarta-feira, abril 03, 2013

Prefiro buscar em mim o que me falta




As situações mais engraçadas, emocionantes, ridículas, tristes e tudo mais tive que viver sozinho em grande parte do Zuando Som. Apenas as fotos ficaram como lembranças a serem observadas junto aos mais curiosos. Passei por muitas cidades, hotéis incríveis e outros lamentáveis. Viagens de ônibus, de carro, avião e até de Fusca. As crianças me receberam incrivelmente bem em todos os shows. Em alguns lugares como Panambí - RS e junto com o Walmor Santos foram mais de 2.000 crianças ao total das cinco apresentações em dois dias. Fui para lugares distantes como Manoel Viana e outros ao lado de casa como Tramandaí. Passei noites inteiras viajando e dias repletos de felicidade. Sempre com aquele frio na barriga de cantar e contar canções e histórias próprias para quem nunca me viu. No Zuando Som O anjo Malaquias cruza os céus e abana com as suas asas na bunda. Gosto de pensar em algo não passageiro. Há tempos me peguei imaginando até quando eu poderia continuar com as performances. Em alguns lugares me entreguei tanto que saí com a nítida impressão que estava com febre. Acredito que não vou conseguir fazer isso para sempre. Digo, deve ter uma idade limite. Seria perfeito assistir um velho brincando com as crianças através de um violão e algumas canções. Seria mais legal que agora! Mas, na prática, vai faltar força. Por enquanto,pretendo ir montando a minha vida como um mosaico. Sem muita pressa e com paciência. Fé e Pé pra sempre!

sexta-feira, março 29, 2013

Páscoa é a celebração da vida eterna!


" Não sou Católico, sou  Cristão"  essa frase de um amigo querido me levou a fazer algumas reflexões sobre a Páscoa.  Não leio a Bíblia diariamente  e quando leio me sinto um analfabeto funcional.  Aliás, creio que seja um livro escrito para provocar dúvidas e não para dar respostas.  Todo bom livro é assim.  A Páscoa é uma data que me provoca.  Gosto da ideia de um Salvador. Acho romântica a história de Jesus Cristo. Lindo saber que um homem morreu por ser demasiadamente humano. É perturbador e extraordinário. Acreditar que Cristo  ressuscitou é o que faz toda a diferença, já que nascer todo mundo que está lendo agora nasceu, e morrer,  todos morrerão. Mas ninguém vai ressuscitar em carne e osso! Só Ele tem esse feito na sua passagem por este planeta azul. O Filho de Deus.  Na minha modesta opinião, respeito toda e qualquer conclusão diferente da minha, a ressurreição é a metáfora maior de imortalidade da alma.  A Páscoa diferente do Natal, me deixa feliz. Põe mais vontade boa no meu coração. Fico com coragem para ultrapassar os obstáculos. Independente do consumo, do feriado, do não comer carne vermelha ou qualquer outra coisa, sinto-me livre na Páscoa. Precisou a morte nos avisar da vida. Se Cristo não tivesse ressuscitado, tudo seria diferente. Poderia ser lembrado como um homem a frente do seu tempo. Um Messias como vários que passaram por aqui. Agora, morrer e viver fez tudo ficar diferente. A Páscoa me da a certeza que as coisas podem não estar perfeitas agora, mas vão ficar. É a lei! Crer em Deus e no Filho de Deus é saber que existe futuro. É ter fé que o mundo está melhorando. Páscoa é a celebração da vida eterna. É a certeza do amor incondicional e de um final feliz. Amém queridos, amem!


sexta-feira, março 01, 2013

Arte

Desconheço a utilidade da arte. Existe por si só. Anda disfarçada nas ruas, com bigodes, tocas, mantas, calças. Vive nos muros, habita mundos, desnuda os homens tímidos, leva a saliva até a boca mais banguela que ri ou chora. Minha arte não é terapia, ao menos pra mim, serve de desejo, de despejo. A arte dói! Mente aquele que não sente dor na arte. Mente aquele que é feliz com sua arte. Pobre daquele que ousa concebê-la sem dor. Companheira da morte e de toda vida. Viver é uma arte, diz o povo infeliz. Separa o homem da arte e terás uma nação de miseráveis. Mas, a arte é erva daninha, danada. Surge sem ninguém plantar como a fome, ou o acaso.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

O primeiro dia de aula


Meu primeiro dia de aula

Amanhã, meu filho mais novo terá o seu primeiro dia de aula. Vai descobrir na escola um milhão de coisas novas. Sairá de casa com a mochila do Batman e nunca mais voltará a ser o menino que partiu. Na escola terá novos amigos, vai ter uma professora e o mais importante, vai conhecer melhor as palavras. Será o último a deixar o pago, o conforto da casa para descobrir a divertida vida dos estudos. Já fez um milhão de perguntas, abriu e fechou o estojo mil vezes, está ansioso e nós também. Sei que quando largar a minha mão nunca mais vai segurar da mesma forma. Quem serão os novos amigos? Vai se dar bem na temida e importante Matemática? Fará boas redações? Claro que não descobrirei isso no primeiro dia de aula, mas em breve. O tempo passa muito, muito rápido pra todo mundo. Mal sabe ele que será obrigado a estudar a vida toda. Mas é uma obrigação diferente, com recompensas maravilhosas que exige paciência e disciplina. Aprender é mágico! A capacidade de organizar o pensamento é a prova que somos seres ativos e livres para pensarmos de acordo com os nossos conhecimentos. Amanhã cedinho, quando acordar, um novo mundo vai estar aguardando por ele. Assim que entrar pelo portão da escola será de verdade. Por várias vezes levei a figura para buscar os manos e a impressão que eu tive, era a de um cachorrinho solto descobrindo o cheiro das coisas. Lembro que a escolinha foi bacana. Só que, a escolinha é diferente, é treino. No colégio o jogo começa, sem reservas. Na verdade, não sou eu que vou levá-lo à escola, será ele que me deixará ir sozinho para o trabalho. A casa ficará vazia e uma casa vazia não é casa, é silêncio. O Bob, nosso cachorro querido, sentirá a sua falta. Quando for buscá-lo virá cheio de novidades. Algumas ele vai contar e outras, guardará pra sempre na memória. Peço a Deus que tenha boas lembranças. Aliás, a coisa mais importante que a escola pode oferecer para os nossos filhos é isso... boas lembranças. Não é verdade?
  

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Singular


Escrever canções para as crianças obriga o compositor a pensar  como uma criança ou como observador da infância.  Difícil é ter este olhar ingênuo no meio de tantas coisas complicadas do dia a dia. O trânsito, a pressa, o caos das cidades são avassaladores para a criação. Alguns, mais românticos do que eu, preferem escrever quando o bicho pega. Sou totalmente ao contrário. Para ter aquilo que chamamos de inspiração preciso ficar distante da bagunça e perto do coração.  "Se eu quiser falar com Deus tenho que apagar a luz". Escrever para as crianças tem um pouco disso. O silêncio antes da caneta é o que faz toda diferença. Um silêncio feliz, um silêncio calmo, o silêncio da chuva serena cheio de sons e imagens.  Tenho um milhão de pessoas para amar e não posso perder tempo com o atrapalho dos que amam errado.  Diversas vezes me sinto o próprio Pequeno Príncipe, cheio de perguntas ingênuas para as pessoas erradas.  Outras, não tenho a paciência que deveria ter para esperar as respostas que gostaria de ouvir. Talvez, neste universo lúdico, a vida funcione mesmo um pouco diferente. E isso não é ruim, é singular!

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Um bando de vagabundos!

Para viver dependemos do trabalho, mas trabalho não quer dizer esforço físico. Escuto sem muita paciência os discursos equivocados que relacionam suor com dignidade financeira. Quando comento com as pessoas que faço canções infantis é comum ouvir que isso não é profissão. O discurso é sempre o mesmo, músico vive de maneira complicada, esse negócio de ser artista é pura vaidade, tem muita gente fazendo e você não vai conseguir nada com isso. Tenho muitos amigos que realmente desistiram. Assim como tenho outros que vivem de maneira satisfatória da sua arte. Talvez a coisa mais importante que a Web nos deu tenha sido a independência. Hoje podemos publicar as nossas canções, textos e ideias sobre a vida sem a pretensão de virar pop star e com a possibilidade de ganhar dinheiro com isso. Estamos sofrendo um processo de mutação nas profissões. Hoje, muitos são massoterapeutas, professores de Yoga, terapeutas florais, pintores, músicos, poetas e recebem muitas vezes bem para realizarem o que gostam. Fico incrédulo quando escuto de pessoas que considero esclarecidas, que as profissões relevantes são somente aquelas em que as pessoas ficam de camisa ou terno o dia inteiro. Não considero a minha profissão melhor do que a de ninguém, mas também não é pior. Combinei comigo mesmo ser menos tolerante ainda com os ignorantes. Aqueles que ignoram a arte devem ser ignorados pelos artistas. Não adianta procurar um médico se não creio que ele possa ajudar em alguma coisa. Não adianta tomar florais se acho impossível que isso faça sentido. Observo que muitos se divertem com a arte, sem perceber que o objeto da sua diversão quem fabrica é o artista. Todos devem ser respeitados. Somos seres sensíveis, humanos e preferimos o amor. Se a criatura é artista, deixa!  Se é dentista, deixa ser dentista! Coisa feia é a falta de tolerância! Alguns pais sentem medo que o filho sofra ao escolher a arte como profissão e por isso, cercam-se de opiniões recheadas de frases prontas que estão por aí. Tenho a impressão que  descobriram a imortalidade nas suas maravilhosas profissões. Todos respeitadíssimos pela sociedade. Sim, a mesma sociedade que queima mendigos, que usa máscara do Joaquim Barbosa e do Capitão Nascimento no Carnaval, que anda de carrão devendo todas as prestações para a financeira, que combate o tráfico com armas ou que presenteia crianças com arminhas de brinquedo. Realmente senhores, somos um tipo estranho mesmo. Cantamos, dançamos, poetamos, nos exibimos em palcos, praças, choramos por amor e ainda ganhamos dinheiro com isso. Não usamos fantasia para viver. Nossa vida é um palco.  Artista é tudo vagabundo mesmo.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Somos todos vítimas

A tragédia que aconteceu em Santa Maria nunca será esquecida por todos nós. A quantidade de corpos de pessoas novas e cheias de sonhos espalhados pelas capas de jornais, revistas e TVs deixaram o mundo chocado. O número de gente envolvida é de um tamanho assustador! Dias depois, vi a foto de um dos donos da boate algemado sendo escoltado por policiais. Evidente que alguém deve ser punido por este fato horrendo. Precisamos achar quem são os responsáveis e levá-los à julgamentos, cadeias e afins. Quando observo o comportamento da mídia frente ao fato tenho uma mistura de ódio e entendimento. Não sou ingênuo e compreendo que a notícia deve ser levada até o cidadão que precisa ser informado sobre o episódio. Fiquei profundamente irritado com um escritor que comentava na sua página no Facebook que o seu poema sobre tinha sido lido em um programa da maior rede de TV que temos no Brasil. Isso chega a ser uma vaidade bizarra! Não é possível que no meio de tanta dor, algum bonitinho resolva escrever algo para emocionar as pessoas! Pelo amor de Deus! Fico incrédulo que um determinado jornal  termine com uma das meninas vitimadas cantando! Como assim? Querem fazer o povo chorar? O povo já está chorando! Já estamos tristes o suficiente e nenhum poeta metido a besta ou jornal, por melhor que seja, fará algo para amenizar o nosso pânico! Ontem li uma mensagem de Chico Xavier tentando nos confortar e confesso que fiquei emocionado. Sou da turma que acredita em Deus! Não acho que estamos aqui e depois sumimos e pronto. Mas, por mais fé, por mais esperança que se tenha, a dor é imensurável! Não conhecia ninguém que estava naquela boate, porém quero deixar aqui o meu respeito e carinho para todas estas famílias. Tenho filhos e por isso tenho medo! Depois que os filhos chegam tem um certo tipo de coragem que vai embora. Somos todos vítimas desta noite sem fim. Que a justiça divina nos mostre o melhor caminho e que todas as forças do bem estejam juntas com estas pessoas. 

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Feliz Ano Novo!

Qual o motivo do tamanho mal gosto desta gente toda? Nesta época do ano, é comum a gente encontrar as casas abertas e muita música estranha saindo porta a fora. Não consigo entender as letras! Tem uma que fala em ficar doce feito caramelo e depois, rima com a marca de um carro amarelo. Passinhos, dancinhas, sambinhas, carinhas e versinhos que quando não são tolos, são piores que isso. Não tenho nenhum preconceito com o gosto dos outros, mas não sou obrigado a escutar o que não me agrada. Imagina, se eu escutar AC/DC no volume que acho interessante, vou enlouquecer os meus vizinhos! Sempre vai ter aquele amigo que acha normal a música ruim e fala que é questão de gosto. Desculpem os desavisados, mas música existe a boa e a ruim. Claro, todos tem direito de gostar do que é ruim. Isso também é um direito! Apenas não posso ser violentado durante horas por vizinhos que acreditam que diversão é sinônimo de emburrecimento e barulho. Socorro!


Por outro lado, quando penso neste ano que está terminando, sinto uma felicidade enorme. Acredito que o Zuando Som tenha alcançado metas que eu não tinha nem planejado. Conheci pessoas maravilhosas, fomos indicados ao Prêmio Açorianos de Música, estive em dezenas de cidades do interior do RS e me emocionei com crianças de todos os tamanhos. Agradeço de coração a WS Editor! Peço a Deus que me permita continuar fazendo o que me proponho com muita Fé e Pé. Para este novo ano, dois discos serão gravados e milhões de planos já povoam a minha cabeça. Gosto disso! Tenho vontade de abraçar todo mundo e agradecer pelo carinho, mas são tantos que não arriscaria esquecer de alguns. Por hora, envio através desta máquina com teclas, todo o meu afeto. Um abraço cheio de saúde, esperança e amor para vocês!

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Na minha cidade esqueceram do Natal!

Agora a noite resolvi dar uma volta pela cidade e observar a decoração natalina. Para minha triste surpresa, não vi enfeites. Algumas poucas casas iluminadas e nas ruas, tudo apagado. Como se estivéssemos em qualquer outra data. Lembro da minha alegria quando enxergava as luzes piscando feito vaga - lumes artificiais recebendo a esperança de tempos melhores com os braços abertos. A antiga avenida em que uma tia saudosa morava, se enchia de cores e as pessoas eram alegres e os tempos eram outros, claro! Mas, será que os nossos filhos não terão mais o direito de se emocionar com tudo isso que fez a gente crer no velho e bondoso Papai Noel? Como falar em Papai Noel se aqui na minha cidade ainda não é Natal? Tá certo que, a gente cresceu, que as coisas perderam um pouco a graça, que as crianças estão cheias de informações e já não é tão fácil convencê-las a sonhar como sonhamos um dia, com aquela noite mágica em que procurávamos um trenó e barulhos de sinos vindos do céu. Porém, é Natal! Nesta época, misturamos sentimentos e comidas e paramos para pensar nos que não tem nada para misturar. Tudo isso invade a nossa cabeça feito uma bomba atômica. E para piorar, é ridículo o abandono por parte dos órgãos públicos  "competentes de coisa nenhuma"  que visam uma vida repleta de egoísmos hedonistas . Atenção senhores! Ainda não é Natal na minha cidade! Temos o direito de sonhar e fazer com que os nossos filhos amados sonhem. Por favor  responsáveis pela decoração pública de Natal da minha cidade, lembrem do Natal! Façam isso pelos seus filhos! Não adianta viajar para Gramado e fingir que todo mundo está lá. Não estamos! Estamos aqui na beira do mar. Precisamos da colaboração de vocês para pensar, planejar e executar os nossos planos. E depois, falam em fim do mundo. Eu tenho medo é que o mundo não acabe e acabe o amor. 

Feliz Natal!

terça-feira, novembro 27, 2012

A primeira fã!

Hoje aconteceu uma das coisas mais incríveis desde que comecei a cantar para crianças. Semana passada fui a um supermercado na praia de Imbé. Estava na fila, esperando a minha vez de ser atendido. Assim que a atendente me percebeu ela sorriu um riso fácil e lascou a seguinte frase:
- Minha filha é tua fã! O quarto dela está cheio das tuas fotos! Ela não vai acreditar que falei contigo!
Prontamente percebi o engano. Fiquei completamente sem graça na frente das outras pessoas que estavam por perto. Meus filhos davam risada, minha mulher fez de conta que não me conhecia e eu procurava algum buraco entre as prateleiras para me esconder. Discretamente, falei baixinho que não poderia ser eu. Que eu cantava sim para as crianças, mas que pouca gente conhecia e de maneira alguma haveria chance da filha dela me colocar pendurado nas paredes do quarto. Mas, ela insistia:
- É tu sim! Teu nome é...e não lembrava.
 Eu fiquei quieto para não piorar ainda mais as coisas. 
- Minha filha faz novela na Internet e coloca as tuas músicas como trilha sonora. É tu sim!
Aí eu dei uma gargalhada! Perguntei quantos anos tinha a filha dela. 
- Eu tenho duas, uma tem dezesseis e a outra dezoito. E as duas são tuas fãs! Tenho certeza absoluta que é tu! É tu! Me da um autógrafo?
Meu Deus que situação! Como poderia assinar? Imagina levar um autógrafo equivocado para as adolescentes? O cúmulo da vaidade. O cara da um autógrafo por outra pessoa!
- Próxima vez que tu vieres - disse ela, - eu vou te dizer o teu nome, sobrenome e o endereço do teu site!
Fui para casa apavorado! Parecia que eu era um personagem atrapalhado dessas geniais crônicas do grande Luis Fernando Veríssimo. 
Hoje, voltei ao mercado com um amigo e adivinha quem eu vejo? Imaginei que passaria pela mesma incomodação. Para a minha surpresa, ela me chamou pelo nome:
- Oi Rodrigo Prates. Teu site é www.zuandosom.com.br e minhas filhas são tuas fãs! Acredita agora?
Morri! Ela contou que, uma das suas meninas está estudando em Amsterdã e a mais nova,  moradora de Gramado, ficaria radiante em saber que estive falando com a mãe delas de novo. E mais, vai tirar fotos do quarto, pegar o endereço do blog da menina e me trazer. Que felicidade! A Internet muda a vida das pessoas. A do artista através do reconhecimento e a dos fãs, que nos percebem como seres comuns, trabalhando feito loucos levando paz para este mundo pesado e ao mesmo tempo tão bonito. A vida é mesmo louca, não?   

   

domingo, novembro 25, 2012

Quanto mais perto mais longe




Quanto mais perto mais longe. É assim que prefiro pensar os sonhos. Ganhei muitos sorrisos neste ano que está terminando. Ou seria, neste mundo que está acabando? Vai saber? As situações mais engraçadas, emocionantes, ridículas, tristes e tudo mais tive que viver sozinho. Não consegui compartilhar com ninguém. Apenas as fotos ficaram como lembranças a serem observadas junto aos mais curiosos. Passei por muitas cidades, hotéis incríveis e outros lamentáveis. Viagens de ônibus, de carro e até de Fusca. As crianças me receberam incrivelmente bem em todos os shows. Todos! O Zuando Som está começando a ficar do jeito que imaginei. Apresento apenas com o violão e a voz. Em alguns lugares como Panambí - RS foram mais de 2.000 crianças ao total das cinco apresentações em dois dias. Fui para lugares distantes como Manoel Viana e outros ao lado de casa como Tramandaí. Passei noites inteiras viajando e dias repletos de felicidade. O palco é a minha primeira casa. Me sinto bem ali. É como se eu soubesse o que fazer mesmo sem saber direito. Quando volto pra casa (família) preciso sair de novo e de novo e de novo e de novo...algo fica torto em mim sem a estrada. Na verdade, não seria a estrada em si, mas o que ela provoca. A saudade, a lágrima, o frio na barriga de cantar e contar canções e histórias para quem nunca  me viu. Alguns amigos perguntam se não sinto a falta dos filhos...óbvio que sinto! Por outro lado, quando estou no lar me divirto com eles. Vejo muitos pais presentes mais ausentes do que eu. Com o Zuando Som vou ao céu e toco as nuvens. O anjo Malaquias cruza por mim e abana com as suas asas na bunda. Gosto de pensar em algo não passageiro. Há tempos me peguei pensando até quando eu poderia continuar com as performances? A duração máxima é de cinquenta minutos cada uma. Em alguns lugares me entreguei tanto que saí com a nítida impressão que estava com febre. Tive que me cobrir com cobertor e dormir até o outro dia para melhorar. Acredito que não vou conseguir fazer isso para sempre. Digo, deve ter uma idade limite. Eu acharia o máximo assistir a um velho brincando com as crianças através de um violão e algumas canções. Seria mais legal que agora! Mas, na prática vai faltar força. Por enquanto pretendo ir montando a minha vida como um mosaico. Sem muita pressa e com muita paciência. Fé e Pé pra sempre!

segunda-feira, outubro 29, 2012

A temporada acabou e estou bem feliz com tudo que aconteceu naquela pequena grande sala. Conheci pessoas bem legais por lá. Muitas crianças curiosas, adultos emocionados, avós brincando com os netos, desconhecidos de mãos dadas formando uma roda bonita e todos atentos ao nosso querido "Velho". Ontem, quando fui recolher o cartaz que anunciava a temporada, senti um frio na barriga. Algo me dizia que a missão estava cumprida com êxito. Ao total mais de cem pessoas estiveram por lá. O público foi carinhoso pra caramba! Lembro de um senhor que reclamou muito por eu não ter feito a apresentação no dia das eleições. Ele chegou esbravejando e saiu feliz da vida com um livro do "Velho" debaixo do braço. Uma senhora levou a reportagem da Zero Hora para me mostrar e amigos de Facebook apareceram para conferir. Por outro lado, amigos do peito não conseguiram conciliar as suas atividades com a temporada. Antes de sair, conversava com o pessoal da biblioteca sobre a importância da Casa de Cultura Mário Quintana para Porto Alegre a para o estado gaúcho em geral. É um referência para todos. Pelos corredores da CCMQ, podemos observar adolescentes dançando, jogando RPG, leitores com seus livros, estudantes com seus cadernos...todos dando importância à cultura que cada um traz consigo. Ali, parece que todo mundo mostra o que é individualmente, mas no coletivo. Fiquei feliz de verdade com o espaço que me foi oferecido também pelo Grupo RBS. Gostaria  de agradecer o carinho de todos que foram, que não foram e que acompanharam  pela Internet. Tenho certeza que, estou a cada show, formando um público querido e fiel. Vocês são o máximo! Em breve, o outro show que chamo de Fé e Pé e que está sendo apresentado nas escolas municipais de Tramandaí e em várias Feiras do Livro do RS, poderá chegar também em algum teatro ou sala por aí afora. Fé e Pé para todos nós! Obrigado a todo mundo da CCMQ que possibilitou este passeio do "Velho" pela casa do poeta que nasceu na mesma cidade que eu. 


quinta-feira, outubro 11, 2012

Oba!

Fiquei um tempo sem escrever, pois meu computador foi para a cidade das coisas que não funcionam mais. Acho que ele cansou de mim! Tudo bem, eu também já tinha enjoado dele. Tenho me deparado com situações novas e extremamente excitantes. Parece que estou ligado a uma tomada. O mês de outubro tem sido uma loucura e estou muito feliz por isso. O Fé e Pé é um sucesso nas escolas e O Velho dos Cabelos de Mola está superando todas as minhas expectativas. A temporada que iniciei sábado na Casa de Cultura Mário Quintana poderá ser bem legal! Lembro que comentei com o Rafael Ferri meu amigo e companheiro de Zuando Som que não acreditaria que as pessoas fossem até lá só para assistir. Sou da turma dos pessimistas! Ele riu e sugeriu que eu me acalmasse e que tudo iria dar certo. Não é que deu! A sala Lili Inventa o Mundo é bem pequena, mas muito aconchegante para quem está fazendo a sua primeira temporada. Depois que montamos o som, descemos para tomar água. Na volta, quando saí do elevador, observei algumas pessoas na fila. Até a minha Dinda foi! Assim que comecei fiquei um pouquinho tenso, mas logo passou. Gosto do palco! Tenho a impressão que o palco é o meu analista. No final, todo mundo brincou de trem e de roda. As crianças tiraram fotos, muitos abraços e beijos.  
Sábado e domingo tem mais!
Muito obrigado!

domingo, agosto 19, 2012

A vida no passado







Fui tocar em Manoel Viana e consegui fazer uma visitinha em mim mesmo. Vou explicar: como já comentei aqui algumas vezes, eu nasci na cidade de Alegrete. Até os 16 anos eu acreditava que seria um poeta de verdade. Meu super herói preferido era o Mário Quintana. Fugia das aulas das exatas e me escondia na biblioteca da Escola Estadual Oswaldo Aranha e do Centro Cultural da cidade para ler o que viesse pela frente. Não era um rato de biblioteca, era um curioso. Lia a esmo e descobri Machado de Assis, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e claro, Mário Quintana. Quando me deparei com a cidade depois de quinze anos, levei um baita susto. A cidade continua bem parecida com o que era, mas eu mudei. E isso me assustou! Não sei se deveria ter ido fundo e como sempre, fui! Resolvi visitar as casas em que morei, lembranças das avós, de um avô que era fazendeiro e do outro que tinha uma churrascaria.  A vida nos da de presente as lembranças para que elas façam parte do passado. Sem essa de nostalgia. Caminhar pelas ruas e enxergar o guri que pintava os cabelos de vermelho cheio de sonhos e planos para conquistar o mundo, não foi tranquilo. Algo em mim fechava os meus olhos me proibindo de ver. Tirei fotos, centenas delas. Mais tarde, quando fui espiar  detalhadamente, entendi melhor o que consegui fazer da vida e o que não consegui. Não sou aquele gaúcho que solta o Sapucai, que anda de bombacha ou que desfila de cavalo pelas cidades reverenciando as raízes. Porém, não sou menos gaúcho que estes. Tenho este carinho pela cidade, pois morei nela. Conheço o seu cheiro, seus hábitos, a linguagem peculiar, seus campos, suas praças, o barulho do trem, ruas, rios, pontes, monumentos, escolas, bibliotecas... Foi ótimo e difícil voltar. Descobri que tenho mais coragem do que pensava. Rever o que passou interessa somente aos que não temem o futuro. Voltei mais maduro e inclinado a redescobrir coisas que estão adormecidas em mim. Não estão mortas! Viverão pra sempre no meu agitado coração e olha que, até ele que achei ter se aquietado, ainda me apronta cada uma. Ao final da viagem percebi que a máquina fotográfica acusava  "memória cheia". Foi aí que decidi retornar à minha cidade atual. As minhas memórias também já estavam no limite.  

"O Velho dos Cabelos de Mola" já vendeu 2.000 livros em cinco meses. Um sucesso! Em Manoel Viana fizemos uma festa bonita no auditório e no pátio da escola. Incrível! Obrigado! 




domingo, agosto 05, 2012

É no silêncio que a música faz barulho em mim

É no silêncio que o pensamento faz barulho. Quando tudo fica calmo e o escuro parece não ser apenas uma opção é que a vida conversa com a alma. Tenho prestado mais atenção nos ruídos da quietude. Talvez esteja gostando de ficar a sós comigo mesmo. Teve um tempo em que demorava para ficar feliz estando só. Era como se não entendesse o que eu era. Um conflito adolescente em plena idade adulta. A música está disciplinando as minhas ansiedades. Hoje tenho a convicção que vivo para a música. Mas, a música não é fiel. É de todos e não pertence a nenhum.Consegue me fazer feliz por meses e depois, desaparece. Não chega a sumir totalmente, mas não liga, não é dada a e-mails e muito menos a declarações de amor. É seca e suave como uma pena ao vento. Vejo homens sofrendo por ela, algumas mulheres  a trazem na ponta dos dedos e nas pontas dos cascos.  Consigo enxergá-la tirando-me da cama para um tango confuso.Não sou o melhor dançarino. Porém, consigo satisfazer os meus desejos nela e a deixo procurar alguma coisa que a agrade em mim. Uma troca. Uma dança. Quem leva quem?


Dia 09 estarei apresentando "O Velhos dos Cabelos de Mola" em São Jerônimo, pertinho de Porto Alegre. Vai ser divertido! Estou com a história quase na ponta da língua. Acho ótimo mostrar a literatura e a música para as escolas. E lá vou eu...levar as canções para mais um baile. Calma gente! Eu só participo das matinês.

sexta-feira, julho 20, 2012

A MÚSICA NÃO GOSTA DOS HOMENS FRACOS

Quando olho para os lados e lembro que resisti durante estes anos todos sinto um frio na barriga  parecido com o de um soldado que sobrevive a uma guerra. Vários caíram, machucados, magoados, tropeçaram na falível certeza de que tudo um dia vai dar certo. A música não gosta dos homens fracos. Escolhe a dedo os seus combatentes. A ironia é que, os eleitos nem sempre são os melhores. Alguns por teimosia e outros por destino, ficam cara a cara com a possibilidade de construir um futuro junto a música e isso não é assim tão maravilhoso como todos pensam. Algumas pessoas que enxergam e comentam as fotos dos shows que posto no Facebook acreditam cegamente que tudo é lindo. Saibam que até as rosas são cheias de espinhos. Quando chego em casa e reflito sobre o que fiz percebo que a parte realmente importante, aquilo que importa de verdade, por mais que eu queira mostrar, fica somente pra mim. Posso fazer uma multidão sorrir, cantar e se divertir. Mas, isso não quer dizer que depois que o show acaba, elas serão mais ou menos felizes. As solidões ou as alegrias de um artista são tão grandes que não cabem no coração das outras pessoas. Talvez ambas, por serem imensas, não sejam visíveis. Quantos amigos jogaram a toalha por motivos ínfimos, outros por falta de tempo deram passagem para a minha euforia criativa. Entender a canção infantil como algo necessário para o crescimento humano é uma tarefa sensível e necessária. Quando falo em solidão não estou falando em tristeza. Talvez só um pouquinho. Os homens da minha idade parecem mais homens que eu. Suas vidas parecem mais sérias e seus pensamentos mais concretos. É sempre difícil entender o abstrato. Embora a ideia para uma letra ou música não seja algo materializado. Tudo na minha vida fica no mundo da lua e isso não é um lamento. Penso que estes homens a que me refiro estão sempre na segunda feira e eu no sábado. 
Alguns lugares em que apresento as minhas canções fico com a certeza que só eu poderia fazer aquilo. Em outros, consigo identificar imediatamente que não agrado tanto assim. Tenho certeza que alguns professores me odeiam. Assim como tenho certeza que outros me adoram. Juro que há momentos em que me sinto um ET passeando em um shopping. O som dos aplausos das crianças soam como um dia de sol depois da chuva. Deixar que a música faça seu trabalho mágico me usando como meio é o que posso oferecer para a minha vida. Não sou um músico excelente e tão pouco um cantor com uma voz poderosa. Existem milhões melhores. Escolhi fazer isso, mas posso garantir que também fui agraciado pelo o que chamamos de destino. Uma amiga querida disse um dia que eu deveria assumir que sou um artista. Na época achei isso o máximo. Minha ingenuidade naquele tempo não me deixava ver que tudo na vida tem o tal do bônus e do ônus. Estou começando a perceber que as flores enfeitam, mas também sofrem por suas belezas.